[Cobertura] Confira como foi o The Joshua Tree Tour 2017 do U2

E aí, pessoal?

Saudações carioquíssimas de quem pegou muita garoa em um fim de semana muito especial em São Paulo.

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Estive lá curtindo o show da turnê comemorativa dos 30 anos do lançamento de The Joshua Tree; aquele que se não é o mais famoso, é um dos álbum mais icônicos da carreira do U2 e quiçá da música mundial. Friso que não fui sozinho ao show.

Fui com minha irmã, a torcida do Flamengo, Corinthians, Grêmio, e São Paulo inteira lotar o Morumbi no domingo que foi uma das quatro datas escolhidas pela banda para se apresentar aqui no Brasil. Foi interessante ver o quanto a cidade inteira parecia respirar o show da banda.

Desde a chegada ao aeroporto, passeando pelas ruas do Centro, da Liberdade, na Galeria do Rock, nas calçadas da Avenida Paulista… Sempre era possível ver alguém com camisas da banda. A cidade era deles, sem dúvida. Tanto que, durante sua estadia ao se depararem com um típico engarrafamento na Paulista, a banda foi andando (!) sem rumo por aí. Mas e o show?

No final de semana, enquanto quem foi no sábado teve um clima super abafado, o pessoal que foi no domingo como eu pegou chuva. Nada que desanimasse quem ficou na longa fila esperando entrar no estádio e ficar nas arquibancadas molhadas. Noel Gallagher abriu a noite com seu rock de muita qualidade.

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Mas se por um lado não demonstrou muito apelo junto ao público que pouco conhecia as músicas da sua banda High Flying Birds, por outro isso não intimidou nem um pouco o músico que se declarou feliz por estar tocando “na terra do Gabriel Jesus”, nas palavras do fanático torcedor do Manchester City. Guardando o melhor para o final, Noel levantou a plateia com o seu repertório do Oasis: “Wonderwall”, “Champagne Supernova” e “Don’t Look Back in Anger”.

Após mais uma horinha de espera, onde a chuva gotejava seus últimos pingos, um frenesi tomou conta da plateia. Ao apagar das luzes, Larry Mullen Jr. se encaminhou para a bateria na parte mais externa do palco. Suas baquetas deram as primeiras batidas de uma noite especial. Eu mencionei que era domingo? Então.

Não poderia começar de outra forma que não fossem os tambores de Sunday Bloody Sunday. Foi acompanhado pela entrada das cordas de Adam Clayton e The Edge. Por último, Bono Vox entra cantando “I can’t believe the news today…”. O estádio inteiro se belisca, porque não acredita que está ali presenciando o show. Com anos de estrada, poucas bandas sabem aproveitar a própria presença de palco como o U2.

O show começa humilde, mas não menos poderoso, com a banda na ponta do palco com os holofotes sobre eles sendo, literalmente, o centro das atenções. O imenso telão estilizado que ficara acesso até então exibindo trechos de poesia durante o período de espera, permanecia apagado enquanto a banda entoava seus primeiros hinos como Pride (In The Name Of Love). Não dão ponto sem nó, é claro.

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Souberam criar a expectativa certeira quando o telão finalmente se acendeu ao som dos inigualáveis acordes de “Where The Streets Have No Name” destacando a silhueta dos integrantes contra o fundo vermelho iluminado. Sem piedade com o nosso coraçãozinho fanático, os irlandeses emendam I Still Haven’t Found What I’m Looking For (com uma palhinha de “Stand By Me” ao final) e “With or Without You” para emocionar até o mais desalmado entre os presentes.

Dali, o show entra na sua parte mais politizada com canções como Bullet The Blue Sky e Mothers of the Disappeared, onde o espetáculo fica pela excelência do som e da interatividade do telão. Também é onde a plateia fica mais “morna”, mas jamais dispersa. Só que a temperatura volta a aumentar na volta para o bis. E que bis, meus amigos!

Com o “homenageado da noite”, o álbum Joshua Tree, devidamente representado, a banda parte para grandes hits da carreira. “Elevation” com direito a camisa de “censura nunca mais” e coraçãozinho no telão do inoxidável baterista, “Beautiful Day”, “Misterious Ways” com uma dançante fã subindo ao palco e a mais recente “You’re The Best Thing About Me”, um clássico instantâneo.

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O encerramento do show não poderia ter sido mais emocionante. Bono dedicou a canção “Ultraviolet” à todas as mulheres, destacando a sua imensa importância para o mundo. Nas palavras da canção, “baby, baby, baby, light my way”. Enquanto os holofotes despejavam sua luz violeta na plateia, o telão exibia imagens de grandes mulheres da história, inclusive brasileiras.

Em tom de despedida, a banda cantou seu hino “One” desejando: “vocês, brasileiros, merecem melhores líderes”. Ao fundo, um quebra-cabeças japonês formava o símbolo do estado de São Paulo, que foi sendo substituído aos poucos pelas cores verde e amarelo que anunciavam a bandeira do Brasil banhando a plateia com a sua luz.

É verdade que o Brasil merece melhores líderes. Mas naqueles breves momentos, o Brasil só queria ser merecedor do U2. Que show, amigos!

Fotos por: Guilherme Enfeldt

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Alonso

Sou o tipo de cara que quando vai à banca, o jornaleiro já começa a sorrir porque sabe que eu não saio de lá com as mãos vazias.

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