[Entrevista] Bruno Davi Kretzmann, autor de O Mago

Olá pessoas!

O Action Nerds marcou presença no lançamento do livro O Mago de Naminaroth e a Fênix, durante o 24ª Encontro de Jogos Além do Muro – contaremos isso na sexta-feira -, mas antecipou a todos para entrevistar o autor do novo clássico de mitologias de Jundiaí: Bruno Davi Kretzmann. Caso você não pode ir até o evento, saiba mais sobre a Série O Mago.

O Mago 01

1- Você escolheu contar a história em primeira pessoa, na visão d’O Mago. Como se deu isso?

É um caminho difícil. A gente está acostumado a narrar coisas em terceira pessoa; é complicado descrever tudo do ponto de vista dele, mas é um exercício positivo por ser um negócio mais pessoal. É mais fácil do leitor se identificar, do leitor entrar no personagem principal.

2- Quais as origens dos nomes?

Tinha uma época que eu estava maluco por anagramas e utilizei, mas não tente (ou tente!) descobrir uma regra para tudo porque o livro não tem regras. Tarklidght é uma mistura de luz (light) e trevas (dark), só que eu não queria que fosse tão óbvio. Sobre o Hearbro (leia-se ‘Rarbro’), a sonoridade vem de Broken Heart (coração partido). Beber de várias fonte, ou fazer a sua salada para palavras, faz parte de qualquer obra de fantasia.

3- Como vieram as inspirações da criação do seu mundo?

Todos os autores se baseiam em uma mesma origem cultural a meu ver, deuses e criaturas de mitologias diversas, e comigo não foi diferente. Tem quem veja a origem do meu mundo pelas entidades do Calor e do Frio e falem que isso é mitologia nórdica, mas eu bebi da fonte de mitologia greco-romana, egípcia e maia também.

Eu tenho em mente que foi muito trabalhoso mesclar essas referências em um todo coerente e claro que isso é passível de incomodar a alguns. Foi preciso passar por muitas revisões, tanto do ponto de vista da história quanto da escrita em si, e as pessoas costumam ter diversos pontos de vista sobre assuntos que para você estavam perfeitos e encerrados. Considero a criação desse meu mundo um trabalho de melhoria contínua.

4- Como foi trabalhar com o livro entre passado-futuro?

Eu queria os flashbacks por dois motivos: fazer as pessoas entrarem ainda mais nos personagens para saber as motivações de cada um, já que eu não queria que fosse apenas uma menção. O segundo ponto é que eu já escrevi pensando em dar essa sensação nas pessoas, de querer voltar à história principal de qualquer jeito.

5- O que não te fez escrever cronologicamente?

Quando o personagem principal encontra dois amigos, eu achei essencial explicar quem eram aquele dois novos integrantes para a história, enquanto que a história do Mago é linear do começo ao fim do livro. Os flashbacks acontecem somente com personagens secundários.

Uma das coisas que eu fiquei sensibilizado, e que algumas pessoas me disseram que também ficaram, foi quando eu mostrei o passado deles quando crianças. Eu consegui ser fiel a esse sentimento de inocência das crianças e a visão limitada de mundo deles. Por um lado, ela é gratuita por não mostrar nada da história principal, mas faz com que você entenda um pouco mais da personalidade deles.

6- As cenas de infância, com as crianças na casa da avó, são suas próprias lembranças?

Eu acho que são as principais inspirações da minha vida; algumas são relatos do que aconteceu, outras são invenções. Novamente, não há regra para o livro. Minha esposa tem o costume de anotar sonhos e eu anotei por um tempo os meus. Tem alguns diálogos que aconteceram realmente na minha vida, que foram muito inspiradores e eu transcrevi no livro, com certas alterações. Eu tenho um em mente que estará no início do volume 2 que é um diálogo fantástico e eu penso até em encenar no lançamento do próximo livro junto a pessoas que ali foram representadas.

7- Fazer o personagem próximo do que você é, ajudou a se conhecer melhor?

Sim, eu acho que escrever o livro foi uma terapia; eram coisas que eu precisava colocar para fora. Muito do que está ali pode ter relações com a minha vida pessoal, fica a dúvida para quem quiser descobrir.

O Mago 03

8- Quais foram suas principais referências?

Para os leigos, que não estão habituados a literatura fantástica, eu apresento o livro como ‘é tipo Harry Potter e O Senhor dos Anéis’ porque têm uma identificação mais facilmente. No reino das referências, todo mundo bebeu um pouco de Tolkien. A sinopse descreve um menino que se torna bruxo e vai para a escola de magia, mas isso está longe de ser a maravilha que é em Hogwarts.

O menino do livro quer ser um mago e ele descobre que não é tão fácil ou bonito como aparenta. “Os Mundos de Crestomanci” é minha principal referência. As apresentações dos personagens são ótimas, a magia é uma coisa palpável e o uso do sangue de dragões é uma coisa muito comum. “Desventuras em Série” também é outra inspiração para o drama (tragédia) com a vida dos personagens.

9- Existe diferença entre bruxo, mago e feiticeiro?

Eles são iguais no meu mundo; são nomes diferentes para o mesmo usuário de magia. A não ser que haja no mundo atual, os três tipos, não temos capacidade de distinguir o cada um faz. Essa distinção veio do RPG onde o uso da magia é totalmente diferente.

10- O conceito de dimensões paralelas foi pensado desde o começo do livro?

Sim, tanto que no começo da história há uma explicação em que a Corte dos Bruxos tem conhecimento de uma outra realidade, mesmo sem ter provas concretas. Eu recebi um vídeo sobre um cara dando dicas de criação literária e ele dizia ‘se você está começando agora, não cometa esses erros!’ Um deles era ‘se você não consegue escrever sobre um mundo, não escreva sobre dois!’, mas aí eu já tinha escrito tudo. E não me arrependo.

Eu tinha em minhas ideias um mundo regente, superior ao outro, e esse é o conceito de Tarklidght (embaixo) e Llaven (em cima). É um mundo onde tem seres mais avançados que estão assistindo o que os outros estão fazendo. E entra na filosofia da série sobre alguém que se acha demais, que pode mais do que o outro.

11- Teremos mais mundos paralelos então?

Sim, até o fim do livro teremos surpresas para os leitores que eles não imaginam. Uma coisa é você determinar as regras para os seus mundos, outra coisa é falar que ele está em paralelo com o mundo que a gente conhece. Adiantando, o começo do segundo livro é um cenário totalmente diferente da onde o mago está.

12- A ideia original é ser uma trilogia?

Eu pensei em fazer quatro livros, mas percebi que talvez não tivesse ideias para tudo isso. Por outro lado, a estrutura de trilogia funciona muito bem: começo-meio-fim. Eu não prometo que fique apenas em três livros, mesmo já sabendo como a história termina. Pode acontecer do segundo livro ser maior do que eu esperava. É importante para o leitor que eu encerre o capítulo em um ponto específico ou será que eu posso estender a curiosidade?

13- Como foi elaborada a poesia d’A Lenda do Cavaleiro de Jade’?

Eu fiz a poesia em um tom de cantiga onde alguém estivesse contando aquela história de forma diferente, com o tom de ser uma fábula. Fiz as rimas nas falas dos personagens, sem ficarem forçadas e consegui manter como uma pequena história fechada. Eu queria que o personagem tivesse uma motivação para a figura do dragão, então eu criei a fábula para ele.

14- Quantas pessoas leram o livro antes do lançamento?

Além das pessoas que fizeram a resenha, escolhi pessoas que eu me senti na confiança de entregar o livro, como uma menina do meu trabalho, meu primo, minha esposa. Vários personagens são criações deles, que me ajudaram a construir o cenário inteiro. O Grupo Além do Muro nasceu como uma reunião das histórias que cada integrante fazia, aí quis reunir todas para montar o livro.

Algumas não cabem na história do mago e irão virar projetos futuros, mas é no mesmo universo. A Violet e o Yohann são personagens da minha esposa; o Oni, o Clã dos Évenor e o Mago de Gelo são do meu primo. A minha história é como se fosse o ponto de encontro de todos essas pessoas fictícias e eu recepciono os personagens deles.

O Mago 02

About the Author

Action Nerds

"Em que posso lhe ser útil?" - "Isto está extremamente feliz em ajudá-lo, senhor!" - "DON'T PANIC!"

Deixe uma resposta