[Mangá] Dororo é a pura simplicidade de seu autor Osamu Tezuka

Olá Olá Nerds!

Cada obra de Osamu Tezuka é uma viagem no tempo do Japão antigo com boa dose de diversão!

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O mangaká japonês fez sua fama com Astro Boy, Kimba, A Princesa e o Cavaleiro, mas são em seus mangás de segunda linha – considerados os menos famosos – onde podemos perceber a criatividade e pesquisa do autor. É nítido em Dororo a quantidade de referências que ele se utilizou para cenários e acontecimentos.

Durante o período do Japão Feudal, e eminentes disputas de territórios entre senhores feudais, Daigo Kagemitsu é um destes que para ter o domínio da região oferece seu filho recém-nascido a 48 demônios. O bebê é colocado no rio à deriva para terminar sua maldição. Um curandeiro gentil o resgata e lhe dá o nome de Hyakkimaru.

Quando cresce, Hyakkimaru conhece toda sua história e o curandeiro o ajuda com próteses para se locomover e o ensina como um humano comum se comporta. Já adulto, ele irá viajar por todo território do Japão, atrás de youkais em formatos de demônios, espíritos e monstros para recuperar seu corpo real.

Nesta busca pelos seres malignos, Hyakkimaru se encontra com o personagem título Dororo, um ladrão de aldeias que busca um sentido para sua vida solitária e rebelde depois que seus pais o abandonaram à própria sorte também. Uma relação de amizade e confiança cresce quando juntos irão em busca de cada destino.

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O mais intrigante nos quatro volumes deste mangá é que Tezuka conta a trajetória japonesa durante as disputas de terras, mas com o olhar de uma pessoa que é mais humana do que os combatentes. Para Hyakkimaru, nada do que acontece a sua volta importa desde que não esteja envolvido com um youkai e Dororo vê no novo amigo um espelho para sua vida.

Apesar do título ser Dororo, ele tem um papel secundário em toda a história, mesmo que no último volume descobrimos o quanto ele é importante neste conflito todo. Não chega a ser um plot twist, mas a conversão da história do semi-humano para o ladrãozinho (tradução quase literal de seu nome) é tão suave que o mero leitor nem percebe.

Os traços de Tezuka por mais simples que sejam, não deixam a desejar para contar a história. A leveza de um quadrinho para outro se transforma rapidamente quando há lutas entre espadas de Hyakkimaru e os demônios. Em um simples virar de página, Tezuka dá velocidade para o conto que – assim como a luta – acaba rapidamente.

Dororo é uma ótima história para conhecer personagens que nunca mais aparecerão em outros contos, mas ficarão marcados em um cantinho do coração. Tezuka faz questão de impressionar com a humanidade e simplicidade em cada título consagrado e agradeço ter conhecido a jornada de Hyakkimaru e Dororo.

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About the Author

Leo Luz

Jornalista, fotógrafo e admirador de cultura japonesa. Gosta de jogos, mas sua paixão são as HQs. E os livros. E filmes.

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