[Review] Homem Aranha Noir

Nos quadrinhos é quase que freqüente a reinvenção de histórias, mudanças de arco, de cenas e ressurreição de super-heróis, ou personagens, que haviam morrido há décadas. Então como inovar para uma história paralela, mas que contasse de maneira semelhante a origem de um personagem? É o que as graphic novels fazem hoje em dia, adaptam a história, recriam o personagem e suas características ficam preservadas. É assim com Homem Aranha Noir.

Lançado este ano pela Marvel, com o selo gráfico da Panini Books, Homem Aranha Noir (lêia-se Noar) é um encadernado de capa dura, com excelente papel de impressão e a um preço justo, que reconta a origem do Amigo da Vizinhança em plena Nova York de 1933, época da Grande Depressão Americana, com a quebra da bolsa de valores.

Assim como em Magneto: Testamento, os personagens foram arranjados em uma sociedade de época que não parecesse estranho ao leitor, tanto é que temos além de Peter Parker, Tio Ben, Tia May, Felícia Hardy, Norman Osborn, entre outros convivendo em meio a sujeira, lama e esgotos da Big Apple mais dramática e escura do que conhecemos.

Nessa rede de imundice foi criada a mesma trajetória de origem para o Homem Aranha, colocando Norman Osborne, chamado apenas de Duende, como o chefe de uma quadrilha que domina a cidade, eliminando opressores socialistas como Tia May e Tio Ben que querem melhores condições de vida aos trabalhadores

Quem nos apresenta os personagens é um fotógrafo do Clarim Diário, Ben Urich, que por meio de suas lentes vemos um retrato da baixa e pobre sociedade tentando um lugar de destaque fora do lixo onde vive, e da alta sociedade de terno e gravata do Duende. Com o acontecimento que estamos cansados de saber, Parker se transforma no Homem Aranha e sua vida de combatente de crimes está apenas começando.

Destaque para duas coisas nesta história. Primeiro que a roupa do herói ganhou certa importância e uma origem, e não lembra em nada o colant estranho que um adolescente cria de uma hora para outra. E segundo, a rede de corrupção é tão funda que vilões e amigos do Aranha aparecem ao longo das páginas deixando o leitor surpreso em como os roteiristas David Hine e Fabrice Sapolsky uniram os fatos.

Palmas também para o traço de Carmine Di Giandomenico, que assim como em Magneto, ele conseguiu criar uma nação dos anos 30 inteiramente própria, seja em roupas ou arquitetura de prédios, levando o leitor a uma época que ele não viveu. Os personagens estão ali, mas percebemos que eles sofrem com o lugar, com a opressão, talvez até mesmo os problemas de Parker sejam ainda piores do que seu xará do ‘futuro’.

Homem Aranha Noir é uma história ‘mais do mesmo’ com relação à origens, mas se transforma quando fatos que conhecemos foram unidos de outra forma, deixando assim um conto novo do Amigo da Vizinhança com traços bem trabalhados. Nota 9,5.

Leo Luz imaginou o Rorschach escalando parede.

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Leo Luz

Jornalista, fotógrafo e admirador de cultura japonesa. Gosta de jogos, mas sua paixão são as HQs. E os livros. E filmes.

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