[Review] Alien: Covenant e o desastre natural de Ridley Scott

Salve salve nerds!

Quando unimos os nomes Ridley Scott e Alien na mesma frase quer dizer: sucesso! Não desta vez.

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O diretor inglês já vivenciou diversas coisas nos seus 80 anos, começando na TV e fazendo muito sucesso em 1979 com Alien: O Oitavo Passageiro – o filme considerado divisor de águas para o cinema de horror daquela e desta época. Visionário, ele conseguiu sucessos como Blade Runner, Thelma & Louise e Hannibal e então se perdeu.

Claro que tiveram filmes excelentes como Falcão Negro em Perigo e O Gângster, mas a mente do diretor ainda se encontrava perdida, ele precisava dar sentido a um filme que começou, ele precisava ter um ‘momento George Lucas’ para o sucesso que construiu. Isto é, ele precisava destruir todo um conceito que tinha nascido para ser único.

George Lucas também foi o responsável por querer explicar o nascimento da lenda Darth Vader. Partiu da vontade dele criar todo um universo a partir do momento que Anakin nasceu para dar sentido a diversas questões de seu primeiro Star Wars. E disso surgiu a porcaria da segunda trilogia de Guerra nas Estrelas, e o Anakin chato, corrida de pods, etc…

Angustiado em ter na mente um universo rico sobre o xenomorfo que criou, Ridley Scott também teve a (BRILHANTE) ideia de querer dar um sentido para a origem de seu ‘vilão espacial’ e realizar uma trilogia sobre o que possivelmente originou a forma icônica de Alien e como ele foi parar na Nostromo e encarar sua real adversária Tenente Ripley.

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Assim nasceu Prometheus, um filme que não serve para nada a não ser filosofar sobre a vida em outros planetas e de leve (mas BEM DE LEVE) inserir a larva do futuro ser com sangue ácido. Não contente, titio Ridley ainda quis aumentar a história para mostrar o desenvolvimento do alienígena para o formato clássico: nasceu Alien: Covenant.

Um grupo de ‘astronautas’ está indo para um novo sistema buscar o que seria um planeta habitável para seres humanos e tem a responsabilidade de levar 2 mil novas vidas ainda em desenvolvimento. Walter (Michael Fassbender) toma conta da nave Covenant enquanto os tripulantes estão dormindo até chegar no local estipulado.

Por conta de uma tempestade solar, o grupo acorda desesperado para sobreviver e precisa avaliar a situação antes de continuar o rumo para o novo sistema. Neste meio tempo, recebem uma mensagem (de caráter duvidoso) e resolvem investigar por conta própria, ao mesmo tempo que descobrem se o planeta fora da rota também é habitável.

Aos poucos, o grupo de exploração no planeta vai se encontrando com as formas de evolução do xenomorfo (e tem a brilhante ideia de atirar para todos os lados, e explodir um tanque de combustível), restando assim poucos humanos no planeta. O androide David (Fassbender) dá as caras para ajudar os sobreviventes e ‘dar sentido’ à continuação de Prometheus.

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As tomadas de câmeras de titio Ridley são legais, mas o roteiro de Jack Paglen e Michael Green não ajudam em nada a história. Colocar a personagem Peter Weyland (Guy Pearce) não funciona para a parte filosófica, assim como desperdiçar o talento de James Franco que mal aparece em cena.

E tem o agravante de não explorar Katherine Waterston (Daniels) como a personagem principal da trama – chamada de ‘nova Ripley’ – com o devido destaque nos trailers. Sobra para Fassbender explicar passo a passo de seu plano, assim como o abuso de flashback, para trazer uma história que nem deveria ter sido dos papéis.

O que deveria ser o ‘plot twist’ no clímax de Alien: Covenant se torna mais um amontoado de cenas de ação para combater o vilão, resolver a história no planeta e dar o gancho (desnecessário) para uma provável continuação. Titio Ridley tinha muitos amigos no meio do cinema, mas deveria deixar os clássicos adormecerem em suas naves espaciais.

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About the Author

Leo Luz

Jornalista, fotógrafo e admirador de cultura japonesa. Gosta de jogos, mas sua paixão são as HQs. E os livros. E filmes.

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