[Review] Assassinato no Expresso do Oriente é cinema dos bons

Salve salve!

No meio de tantos filmes de heróis por aí, é fácil essa adaptação literária se destacar.

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A primeira frase ao terminar a sessão com um casal de amigos – Gu Valente e Fabi Pontes que já passaram aqui pelo AN – foi ‘Agatha Christie ficaria muito orgulhosa’ e tudo isso é graças ao diretor Kenneth Branagh e ao roteirista Michael Green que conseguiram colocar um livro de 1934 em um patamar gigante.

Como eu disse, nesse oceano de super-heróis que foi 2017, alguns filmes precisam de pouco para ganhar o mérito, então porque não colocar um filme de suspense no meio desse turbilhão e ver o que acontece. Simples, não fosse o fato de termos uma lista de famosos atores dando o tom do filme.

Apesar das 2h de filme, vemos que o roteiro não está com pressa em apresentar os fatos que geraram o assassinato, tanto é que sua primeira metade é para mostrar quem são os personagens e o porquê deles pegarem o trem rumo à Europa. E aqui, temos o segundo acerto do filme: colocar nomes de peso.

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E tudo começa com Kenneth Branagh e seu incrível Hercule Poirot. São 5 minutos para apresentar o caráter do personagem que irá carregá-lo pelo restante da viagem no Expresso de uma forma única. Crítico, detalhista, observador e muito (MUITO) preciso, você irá se apaixonar pelo inspetor assim que ele estiver em ação.

Depois disso, é uma infinidade de aparições de personagens que vão mostrar para você que até mesmo um inspetor/detetive poderá se perder no meio das investigações. Daisy Ridley (Miss Mary Debenham), Johnny Depp (Edward Ratchett), Judi Dench (Princesa Dragomiroff) e Michelle Pfeiffer (Caroline Hubbard) roubam toda cena em que aparecem.

Eles estão tão carismáticos para os papéis que você não quer que o filme acabe, e mais daquela história seja contada. Leslie Odom Jr. (Dr. Arbuthnot), Tom Bateman (Bouc), Penélope Cruz (Pilar Estravados), Josh Gad (Hector MacQueen) e Willem Dafoe (Gerhard Hardman) seguram o segundo escalão com maestria.

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Deixando o último vagão do Expresso para Manuel Garcia-Rulfo (Biniamino Marquez), Derek Jacobi (Edward Henry Masterman), Sergei Polunin (Conde Rudolph Andrenyi), Lucy Boynton (Condessa Elena Andrenyi) e Olivia Colman (Hildegarde Schmidt) para completarem um elenco de apoio, com menos tempo em tela, mas no final estão envolvidos com o enredo.

As posições de câmeras e ‘viagens’ que a mesma faz pelos atores faz o espectador ter a sensação de estar presente no Expresso, algo que somente Kenneth Branagh sabe fazer. O diretor tem uma visão teatral em todos seus filmes e consegue dar esse ar de que há alguém comandando o espetáculo de fora. No caso do filme, dentro também no Poirot.

Assassinato no Expresso do Oriente é um filme simples, com nomes no cartaz e pronto para iniciar um sucesso baseando-se nas obras de Agatha Christie. Há grande rumores que a ‘continuação’ Morte no Nilo chegue tão logo nos cinemas com o mesmo diretor/ator e isso só me faz sorrir ainda mais por querer dezenas de filme com Hercule Poirot.

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About the Author

Leo Luz

Jornalista, fotógrafo e admirador de cultura japonesa. Gosta de jogos, mas sua paixão são as HQs. E os livros. E filmes.

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