[Review] Prometheus

É difícil comentar de um filme que precisa ser bem digerido após 2 horas de reprodução, ainda mais quando Ridley Scott retorna às suas origens de diretor famoso para contar o que seria a prévia do universo de Alien como conhecemos hoje. Teria ele desistido mesmo da ideia de contar sobre Alien e mudado algo no filme para isso? Ou suas referências eram demais para que você sinta que ainda está naquela época passada, mas vendo Prometheus de outra maneira?

Para um filme tomar o rótulo de ficção científica basta que contenha alguns destes itens: viagens espaciais, seres extraterrestres ou robôs. Não necessariamente nesta ordem, muito menos com tudo isso incluso, mas Prometheus se compromete de colocar isto e um drama humano para dentro do filme: qual é a origem da vida? De onde viemos? Como evoluímos? Talvez nem Darwin e seus macacos consigam responder o que foi este filme nos cinemas.

O começo do longa tem a assinatura de Ridley e é possível se identificar somente com as imagens panorâmicas da natureza, uma excelente música orquestrada ao fundo e a ajuda de uma cena que responderá o que fazemos na Terra. O problema dos seres humanos é que sempre para uma resposta, temos preparada a pergunta seguinte: “Porque?”. Dentro desta crença, somos apresentados aos personagens de uma maneira sutil, não agressiva, mas sem nos identificarmos com eles, já que a atmosfera inteira é de Alien, o Oitavo Passageiro.

Os doutores Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) descobrem por meio de pinturas em cavernas pistas sobre a possível origem da raça humana e com a ajuda financeira da Companhia Weyland, comandada na Terra por Peter Weyland (Guy Pearce) e a bordo da nave do título por Meredith Vickers (Charlize Theron) e pilotada  pelo capitão Janek (Idris Elba), eles partem em busca de respostas para as principais perguntas da vida. Como a viagem é longa e cansativa, assim como no filme de 1979, um andróide é posto a serviço de tudo para que todos os tripulantes estejam vivos durante a chegada ao destino e, aqui Michael Fassbender, se destaca MUITO como David.

Não tem como você não se identificar com o único não-humano da nave e vê-lo na telona é saber que o filme tem salvação. Toda a atmosfera, clima de tensão, a chegada deles cheia de incertezas e a descoberta da câmara com a cabeça gigante do poster são sensacionais. Como assisti em 3D, posso dizer que até hoje foi o melhor que já vi mesmo sendo aqueles planos de profundidade que todos conhecem, mas faz diferença quando há um efeito especial a mais já que foi filmado no formato. Já mencionei da orquestra certo? Então, a trilha sonora de Prometheus é fantástica e cria ainda mais um clima de ‘vamos morrer neste instante’, mudando entre um violino sutil para uma rajada de trombetas à primeira aparição dos alienígenas.

A parte ruim é que o roteiro feito por Damon Lindelof (Lost, Star Trek) e Jon Spaihts é como um convite VIP para uma festa conhecida. A apresentação do clima, o motivo pessoal de estarem ali, os personagens valem a pena durante a primeira hora, o problema é quando você sai da “zona de conforto” e uma coisa que poderia ser magnífica, se torna apressada e inacreditável, no sentido de você se perguntar: “o que faço aqui?”, “como ela consegue fazer isso?” ou então “há o sacrifício pela espécie, mas sem necessidade!”. Antes de mais nada, isso não são spoilers ;D

Prometheus, na mitologia, é descrito como a figura que representa a vontade humana por conhecimento, mesmo tendo que passar por cima dos deuses. Na ciência, poderíamos dizer que é o homem brincando de Deus. No filme, é uma tentativa de Ridley Scott estar à frente de um blockbuster e retomar o que perdeu após Gladiador, porém o que consegue é apenas relembrar as pessoas que Alien existe em inúmeras referências durante o longa. Vejam com os próprios olhos e tomem partido se é bom ou ruim, mas eu ficaria mais animado com um art-book histórico, ou ainda com um livro com gravuras, tipo ‘A Origem de Alien’, o que não quer dizer que o filme seja ruim.

Leo Luz gostou do filme em si, mas com certas ressalvas.

About the Author

Leo Luz

Jornalista, fotógrafo e admirador de cultura japonesa. Gosta de jogos, mas sua paixão são as HQs. E os livros. E filmes.

3 Comments

Tortelle

Eu odiei o filme, sério! foi o único filme q assisti no cinema q conseguiu me fazer cochilar várias vezes no começo e fim….os personagens são superficiais, com o único propósito de morrer msm (e isso num é spoiler, isso acontece já na saga do Alien msm)….trilha sonora eu nem reparei, tanto q só notei msm a dos créditos subindo hehehe…eu me decepcionei com o Ridley Scott, na moral…Prometheus conseguiu me fazer curtir menos q filmes de sessão das tarde…
msm o David, q é o único personagem um pouco mais aprofundado, depois de um tempo perde o charme e fica irritante…
só o visual do filme e a presença da Charize valem…e ainda sim só a presença dela msm, pq de útil ela num faz basicamente nada =P

Iracroft

Parabéns pelo ótimo texto, realmente o filme (na minha mísera opinião) não foi tudo o que promoveram, ta tem uma puta produção e tals, mas o roteiro pra mim começou do nada e terminou de forma alguma, ele tentou criar uma polêmica (criação da humanidade) e nem sabe o que fez…agora Alien? Bem foi spó marketing.."enfiaram" o coitado ali só pra vender TSI TSI TSI

Segue nossa resenha no Mundo Freak tbm http://www.mundofreak.com.br/2012/06/11/filosofia

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